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POR QUE PAGAMOS AS CAMPANHAS POLÍTICAS?

Atualizado: 28 de set. de 2022

Desde a proibição das doações por parte de empresas para custear as campanhas políticas, em 2014, surgiu a pressão que deu origem ao Fundão Eleitoral no ano de 2017, mecanismo pelo qual os nossos impostos passaram a pagar pelas campanhas políticas.





Isso mesmo, não importa qual ideologia ou preferência partidária você tenha, parte do seu dinheiro irá ser dividida entre todos os 32 partidos existentes no Brasil, para que eles possam financiar seus candidatos na disputa por votos.



Daí surge a questão, por que pagamos por essas campanhas políticas? Essa pergunta se enche de maior indignação quando sabemos dos valores. São 4,9 bilhões de reais para as campanhas, que poderiam ser encaminhados para as prioridades do país.



Só para se ter ideia de uma dessas urgências,segundo a 14ª edição do Ranking do Saneamento, feito pelo Instituto Trata Brasil, 35 milhões não têm acesso à água potável e 100 milhões (quase metade da população) não têm acesso à coleta de esgoto. E sabe quanto é o orçamento anual para o saneamento básico? 500 milhões, ou seja, 1/10 do que vai do nosso dinheiro para as campanhas.



Soma-se a isso o fato dos partidos políticos estarem distantes da sua real função (o que tratei um pouco sobre na minha primeira coluna ao apontar o vazio que existe na renovação política no Brasil.


Na prática, temos uma distribuição desse valor dentro dos partidos voltada aos caciques tradicionais, aqueles que se reelegem no poder a partir de conchavos e que perpetuam uma estrutura arcaica que não abre espaço para as novas gerações e as novas ideias.



Existe a contra argumentação para essa questão, que também é razoável: sem o Fundão, alguns partidos cujos candidatos não têm apelo às classes econômicas mais ao topo da pirâmide teriam pouquíssimos recursos para expressarem seus projetos. Entretanto, já existem mecanismos para conter essa desigualdade, como o limite de doação por pessoa física e a possibilidade do financiamento coletivo, em que cada um doa um pouquinho para viabilizar uma determinada candidatura.



O que vemos ao garantir a verba do Fundão, pelo contrário, é um desincentivo a essas outras formas de captação e um mau uso do recurso garantido pelos nossos impostos. Candidatos que ignoram as redes sociais e usam do dinheiro para panfletos que sujam a cidade são um grande exemplo dessa catastrófica realidade, no mínimo, antiquada.

Por último, vale ressaltar que os partidos já têm outro Fundão, o Partidário, que também é alimentado com o nosso dinheiro público e serve para custear a manutenção das estruturas partidárias e folha salarial, com previsão para 2022 de vultuosos 1 bilhão de reais.



Pois é, refletindo assim, cabe como próxima pergunta: e se esse dinheiro que sai do nosso bolso como imposto para o Fundão Eleitoral, ficasse conosco para decidirmos qual partido e políticos apoiaremos? Será que não geraria um senso de urgência de melhora e renovação dos partidos políticos atenderem com mais precisão as vontades do nosso povo? Para que lancem candidatos mais preparados, unidos em uma agenda mais clara de país, estado ou município?



O que sabemos é que as mudanças acontecem com mobilizações, ou seja, ações e exemplos na prática. Mas elas só têm êxito quando nascem das perguntas certas. Por aqui no Canal Doxa, continuaremos nessa missão! Até a próxima.




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